domingo, 28 de novembro de 2010

A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM E O PAPEL DO SUPERVISOR EDUCACIONAL

INTRODUÇÃO

               Avaliar a aprendizagem do educando significa também verificar a qualidade das práticas de ensino e das instituições responsáveis por esse ensino, pois quando identificamos problemas na aprendizagem dos alunos, devemos buscar problemas também que podem estar ocorrendo nas práticas de ensino e que o professor também deve ser avaliado e não somente o desenvolvimento adquirido pelo aluno.
Esta pesquisa tem a finalidade de analisar qual o papel do supervisor e  a melhor forma de avaliar a aprendizagem do aluno. Dividida em três capítulos.
O primeiro se refere ao conceito avaliação e supervisão, onde vemos que a avaliação está presente em nosso dia - a – dia, a avaliação desenvolvida durante o processo de ensino – aprendizagem deve estar vinculada a um projeto educativo mais amplo que, na sua elaboração a nível de escola deve contar com a participação dos professores, alunos, demais profissionais da escola, pais ou responsáveis e representante da comunidade onde a escola está inserida. E a supervisão tem que abranger todas as dimensões da realidade que atua estabelecer hipóteses de atuação, determinar prioridades com as respectivas atividades necessárias à sua execução e avaliar o resultado das mudanças que indicam a existência de “uma nova realidade” e impõe consequentemente um novo ciclo de atuação.
 Já o segundo capítulo se refere ao papel do supervisor, que precisa ser um constante pesquisador, que antecipe conhecimentos para o grupo de professores. O objeto de trabalho do supervisor é a aprendizagem do aluno tendo como papel fundamental ser o grande harmonizador do ambiente da escola.
 E no terceiro capítulo mostraremos que a avaliação deve ser um instrumento de tomada de consciência de suas conquistas, dificuldades e possibilidades para a reorganização na tarefa de aprender do aluno e o papel do supervisor é o de auxiliar o professor. E por último apresentaremos nossas considerações finais sobre o desenvolvimento dessa pesquisa.





Capítulo I

CONCEITO DE AVALIAÇÃO E SUPERVISÃO

            O ato de avaliar está presente em todos os momentos da vida humana. A todo o momento as pessoas são obrigadas a tomar decisões que, na maioria das vezes, são definidas a partir de julgamento provisório.
O ato de avaliar na vida cotidiana se dá, permanentemente, pela unidade imediata de pensamento e ação. Nesta unidade a pessoa precisa estar sempre pronta para identificar o que é para si o “verdadeiro”, o “correto”, as opções que vão lhe indicar o melhor caminho a seguir, o que fazer. Muitas vezes essa escolha não corresponde a um conhecimento aprofundado, real, daquilo a que se refere.
            Ao assumirmos que o ato de avaliar se faz presente em todos os momentos da vida humana estamos admitindo que ele também esteja presente em todos os momentos vividos em sala de aula. O ato de avaliar está sempre presente, portanto, nos momentos desfrutados pela classe.
            Assim, temos que ter em mente três perguntas fundamentais que devemos fazer quando formos utilizar os métodos avaliativos:
  • O que avaliar?
  • Para que avaliar?
  • Como avaliar?
A avaliação está ligada diretamente do ensino a aprendizagem; sua origem nasceu da compreensão progressiva de avaliar o comportamento das pessoas. A avaliação começa a ser sistematizada, ou seja, surge à escrita e esta começa a privilegiar a memorização. O professor emite juízos, quase sempre provisórios que vão de opiniões elásticas sobre a turma (boa, fraca, desordeira...) até os julgamentos sobre cada um dos alunos em particular.
            A avaliação não deve se restringir ao julgamento sobre sucesso e fracassos dos alunos. Ela deve ser compreendida como um conjunto de práticas que tem a função de alimentar, sustentar e orientar a intervenção pedagógica do professor.     Os alunos também avaliam os seus colegas e, principalmente, o professor. O professor é avaliado sob diferentes critérios que vão desde sua aparência pessoal até as suas atitudes frente á turma ou sua relação, em termos de conhecimento, com a matéria que ensina.
            Segundo Zabala:

O ato de avaliar está presente em nosso cotidiano, não podemos exclui – lo das situações de aprendizagem, já que aprendemos o tempo todo. Mas a avaliação, dentro de uma organização, escolar ou empresa, passa por valores e juízo de quem avalia, seja o professor/gerente ou quem estiver no lugar dele. Muitas das dificuldades presentes no sistema educacional, não se devem tanto ás questões reais, mas sim “aos hábitos e costumes acumulados de uma tradição escolar, cuja função básica for seletiva e propedêutica”. (Zabala, 1998)

            Um professor que rotula uma determinada turma de “incapaz” ou de “bagunceira” e, mesmo em situações que demonstrem uma evidente mudança no comportamento dos alunos que estão sendo avaliados, mesmo com o avanço dos alunos não consegue ultrapassar o preconceito pré – existente que tem contra a turma.  Nas relações cotidianas da sala de aula o professor apresenta muitas práticas e saberes aprendido em outros ambientes, outras situações e, muitas vezes, exclui “de sua prática elementos que pertencem ao domínio escolar”.
            A avaliação desenvolvida durante o processo de ensino – aprendizagem deve estar vinculada a um projeto educativo mais amplo que, na sua elaboração a nível de escola deve contar com a participação dos professores, alunos, demais profissionais da escola, pais ou responsáveis e representante da comunidade onde a escola está inserida.

A avaliação existe para melhorar processos. Os resultados da avaliação têm que se aproximar dos modelos qualitativos que informam sobre os progressos dos alunos em função da sua capacidade e não em relação aos outros colegas. Vejamos um exemplo: o aluno apresenta uma conta de divisão com o resultado errado. Se damos como errada e pronto, não estamos contribuindo em nada para o aprendizado dele. “Mas se avaliarmos por onde ele caminhou, onde se equivocou e, a partir daí, construirmos outros caminhos com ele, estaremos promovendo o aprendizado”. (Serafim Antunes, Jornal do Brasil, 05/09/99)

            Se a opção do professor for por uma educação que possibilite aos alunos o acesso a instrumentos que vão auxiliar na transformação da sociedade os seus objetivos devem enunciar claramente essas proposições. Deve ficar evidente o que vai ser essencial para a aprendizagem daquele grupo de alunos, os conteúdos que serão relevantes, as habilidades e atitudes que irão contribuir, no âmbito de sua disciplina, com a formação de um indivíduo consciente, crítico e capaz de orientar o seu próprio aprendizado.
            A avaliação efetiva vai se dar durante o processo, nas relações dinâmicas de sala de aula que orientam as tomadas de decisões freqüentes, relacionadas ao tratamento do conteúdo e á melhor forma de compreensão e produção do conhecimento pelo aluno.
            O sistema escolar impõe que a avaliação, em seu sentido burocrático, resulte em um veredito apresentado sob a forma de nota ou conceito, assim, o sistema autoriza também que o responsável pela determinação desse valor crítico seja o professor. O professor, por sua vez, normalmente realiza essa atividade de forma isolada, considerando – a cansativa, aborrecida.
            É necessário que ambos os sujeitos (professor e aluno) participem de todas as fases do projeto educativo, inclusive da avaliação e da determinação do valor representativo (nota ou conceito) do alcance do aluno na aprendizagem.
            O processo de avaliação em sua forma final, classificatória, não encerra o processo ensino – aprendizagem. Sua principal função deve ser a de permitir a análise crítica da realidade educacional, seus avanços, à descoberta de problemas novos, de novas necessidades ou de outras dimensões possíveis de serem atingidas. O ato de avaliar é uma fonte de conhecimento e de novos objetivos a serem alcançados no sentido permanente do processo educativo.
            Se considerarmos a avaliação como um suporte permanente na realização do trabalho do professor, subsidiando – o com informações para a reflexão constante sobre a sua prática. Essa reflexão levará o professor á criação de instrumentos de trabalho e retomada de aspectos que serão revistos e ajustados, para que sejam reconhecidos como adequados ao processo de aprendizagem individual ou de todo o grupo de alunos.
            Supervisão é um processo abrangente e agregado no trabalho escolar. Sua função é muito importante na consecução de melhor qualidade na prestação de serviços educacionais desde as instâncias mais amplas e abrangentes até as atividades básicas.
            O trabalho do profissional da educação se constitui num compromisso político e coletivo de tomada de decisões sobre a formação intelectual e moral de novas mentes humanas, é o trabalho do educador que dá sentido ao trabalho do supervisor, mas este não pode ser predeterminado a não ser com a função articuladora da ação – reflexão – ação.
            No contexto brasileiro a supervisão tem uma concepção e apresenta – se como uma prática relativamente recente. Remonta aos anos 70 e surgiu, “no cenário sociopolítico – econômico, historicamente, como função de “controle” (Silva 1998, p.48). O supervisor é considerado o instrumento de execução das políticas centralmente decididas e, simultaneamente, o verificador de que essas mesmas políticas são efetivamente seguidas. Designado muitas vezes por supervisor escolar, é responsável pelo funcionamento geral da escola em todos os setores: administrativos, burocrático, financeiro, cultural e de serviços.
            Como reflexo do movimento de capacitação e autonomização do professor e da própria escola como coletivo de profissionais, começa hoje a ter – se uma outra visão do papel do supervisor. Ao superpoder orientador e controlador contrapõem uma concepção mais pedagógica da supervisão concebida como uma co – construção, com os professores, do trabalho diário de todos na escola. O supervisor passa assim a ser parte integrante do coletivo dos professores, e a supervisão realiza - se em trabalho de grupo.
            Para Rangel, a supervisão passa de escolar, como é frequentemente designada, a pedagógica e caracteriza – se por “um trabalho de assistência ao professor, em forma de planejamento, acompanhamento, coordenação, controle, avaliação e atualização do desenvolvimento de processo ensino – aprendizagem” (1988, p. 13 – 14). A sua função contínua a ser política, mas é uma função sociopolítica crítica, evidenciada em afirmações como

(...) confirmam – se então, a idéia e o principio de que o supervisor não é um “técnico” encarregado da eficiência do trabalho e, muito menos, um “controlador” de “produção”; sua função e seu papel assumem uma posição social e politicamente maior, de líder, de coordenador, que estimula o grupo á compreensão – contextualizada e crítica – de suas ações e, também, de seus direitos. (Rangel 1997, p.151)

            A supervisão pedagógica dirige – se ao ensino e á aprendizagem. O seu objetivo é a qualidade do ensino, porém os critérios e a apreciação da qualidade não são impostos de cima para baixo numa perspectiva de receituário acriticamente aceito pelos professores, mas na interação entre o supervisor e os professores.
            O Decreto – Lei 95/97 de 23 de abril  diz que a supervisão foi assumida como uma das áreas de formação especializada já previstas na Lei de Bases do Sistema Educativo (1986) e no Decreto – Lei que aprovou o regime jurídico da formação de educadores e professores (Decreto – Lei 344/89 de 11/10). Efetivamente, o reforço da autonomia das escolas como fator de construção de uma escola democrática e de qualidade traduziu – se também no reconhecimento oficial da necessidade de formações especializadas para o exercício de cargos, funções ou atividades específicas, por meio de cursos de especialização realizados em instituições do ensino superior.
            Todos os que trabalham na escola estão em aprendizagem, e a supervisão tem de encarar fundamentalmente dois níveis:
  1. a formação e o desenvolvimento profissional dos agentes de educação e a sua influência no desenvolvimento e na aprendizagem dos alunos,;
  2. o desenvolvimento e aprendizagem organizacionais e a sua influência na qualidade da vida da escola.
     O objeto da supervisão é redefinido como: desenvolvimento qualitativo da instituição escolar e dos que nela realizam o seu trabalho de estudar, ensinar ou apoiar a função educativa por intermédio da aprendizagem individual e coletiva, incluindo a formação de novos agentes.
      Os desafios são enorme, falta de estrutura, recursos escassos, má vontade dos educadores, dos alunos, dos funcionários administrativos, enfim uma série de coisas que dificultam o trabalho do supervisor, mas que não impedem que o mesmo possa criar na sua atividade profissional meios de mudar esta realidade e fazer com que a escola mude sua cara, e se transforme na escola de nossos sonhos.
      Como agentes da transformação cabe aos supervisores escolares dar o ponta pé inicial deste desejo nacional de mudanças e que só precisa começar e não parar mais, não podemos nos conformar com este estado de coisas, não existe o não consigo e sim o não quero.
     O supervisor, na atual realidade, é capaz de pensar e agir com inteligência, equilíbrio, liderança e autoridade, valores esses que requerem habilidade para exercer suas atividades de forma responsável e comprometida. Na década de 90, a supervisora é apontada como instrumento necessário para mudança nas escolas. Segundo Ferreira (1999 p. 233)

[...] desempenha – se o supervisor competente, entendendo – se que a competência é, em si, um compromisso público com o social e, portanto, com o político, com a sua etimologia na polis, cidade, coletividade. E o interesse coletivo opõe – se ao interesse individualizado, na educação e no seu serviço de supervisor.

            A supervisão da escola reflexiva se centra na totalidade da escola e em saberes reconfigurados com base na interação dos saberes adquiridos e constituídos com os saberes emergentes, num espírito de pesquisa em que os atores individuais se integram no coletivo. A formação por aprendizagem e o desenvolvimento profissional em situação de trabalho. A avaliação, de natureza formativa, tem um componente individual e coletivo, de processo e de produto e o supervisor é um líder de comunidades formativas.
            A supervisão tem que pesquisar os fatos para que possa abranger todas as dimensões da realidade que atua estabelecer hipóteses de atuação, determinar prioridades com as respectivas atividades necessárias à sua execução e avaliar o resultado das mudanças que indicam a existência de “uma nova realidade” e impõe consequentemente um novo ciclo de atuação.
             No Brasil, Luckesi (1984) nos anos 80, bem como outros teóricos, desenvolve seus estudos, oferecendo uma importante contribuição á reflexão sobre o sentido da avaliação. Diz esse educador: “Que não existe avaliação sem ação, a não ser por exercício de nominalismo: avaliar é ver, julgar e agir, num ciclo ininterrupto”.
             Vários teóricos alertaram que nas últimas décadas sobre o caráter de acompanhamento contínuo da avaliação do desempenho dos alunos, tal concepção permanece inédita em muitas instituições. Não há efetivamente o acompanhamento do processo de aprendizagem dos alunos e muito menos com o significado de prevenir as dificuldades, observando – os, refletindo sobre a natureza das suas manifestações, replanejando e tomando decisões de caráter pedagógico com base nos resultados dos testes e tarefas realizadas.
            A prática avaliativa não irá mudar em nossas escolas decorrentes de lei, resoluções, decretos ou regimentos escolares, mas a partir do compromisso dos educadores com a realidade social que enfrentamos. Antes de se fazer diferente, é preciso pensar diferente sobre o que se faz. Acredita – se que um processo avaliativo mediador está embasado em alguns princípios essências tais como:
            O primeiro é o princípio de avaliação enquanto investigação docente: o processo de avaliação representa um compromisso do professor em investigar e acompanhar o processo de aprendizagem do aluno no seu cotidiano, contínua e gradativamente, buscando, não só compreender e participar da caminhada do aluno, mas também intervir, fazendo provocações intelectuais significativas, em termos de oportunidade de expressão de suas idéias, várias tarefas de aprendizagem, explicações, sugestões de leituras e outros encaminhamentos pedagógicos.
            O segundo princípio é o da complementaridade das observações sobre o desempenho dos alunos: nenhuma decisão sobre os alunos deverá ser tomada sem uma extensiva análise do seu desempenho, através da observação e interpretação da seqüência de suas tarefas e manifestações e pelo coletivo dos educadores que trabalham com ele.
O terceiro principio é o da provisoriedade dos registros de avaliação: nenhum juízo isolado ou parcial sobre o aluno poderá ser considerado como absoluto ou definitivo, e decisões de aprovação e reprovação deverão ter por base a história do seu processo de conhecimento.
            Um processo avaliativo mediador, é, por sua natureza, preventivo, no sentido de uma atenção constante ás dificuldades apresentadas pelos alunos; é cumulativo e não somativo, no sentido que os dados qualitativos e quantitativos se complementam, permitindo uma analise global do aprendizado do aluno. Dessa forma, a reflexão acerca de tais princípios pelos professores, para que venham a entender as determinações legais, deveriam ser o ponto de partida para a implementação de tais práticas em avaliação.
            Freire nos lembra muito bem de um importante papel que todos nós temos que é o de

Lutar em favor da compreensão e dá prática da avaliação enquanto instrumento de apreciação do que – fazer de sujeitos críticos a serviço, por isso mesmo, da libertação e não dá domesticação. Avaliação em que se estimule o falar a como caminho do falar com. (Freire, 1997, p.131)

É necessário, portanto, uma avaliação que não se exima de seu papel questionador e investigativo, uma avaliação que responda amplamente ás necessidades e aos diversos momentos do processo de ensinar e aprender, do aprender a ensinar e do ensinar a aprender. Uma avaliação que responda a isso precisa ser contínua, o que, como o próprio nome já diz, envolve um processo amplo que vai desde a apreensão dos pontos de partida – avaliação diagnóstica, passando pelo acompanhamento intensivo no decorrer do processo – avaliação formativa, até a busca dos pontos de chegada (resultados) e síntese provisórias – avaliação somativa.
Qualquer que sejam os procedimentos ou instrumentos utilizados pelo professor, pelo aluno e pela escola para avaliar os processos de ensinar e aprender, podem ser norteados por três elementos fundamentais: uma grande confiança na necessidade humana de conhecer/compreender o mundo á sua volta e de superar seus limites; uma grande generosidade para, apesar de e considerando todos os parâmetros já preestabelecidos, debruçar – se com olhar atento e desarmado sobre o que cada aluno faz e é; finalmente, uma grande coragem para (re)começar sempre, mesmo que a avaliação não tenha nos dado tantas certezas como queríamos e, sim, as possíveis.
As capacidades definidas nos objetivos educativos são o referencial básico de todo processo de ensino e, portanto, da avaliação. Mas também é preciso ter presente que os conteúdos de aprendizagem, sobretudo no próprio processo ensino/aprendizagem, e concretamente em cada uma das atividades ou tarefas que o configuram, são o referencial funcional para avaliar e acompanhar os avanços dos meninos e meninas.
Como podemos saber o que os alunos sabem, dominam ou são? Ou em outras palavras, como podemos saber o grau e tipo de aprendizagem que os alunos têm em relação aos conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais? Podemos nos fazer esta pergunta em qualquer das diferentes fases do processo de avaliação.
A avaliação dos conteúdos conceituais são conteúdos mais complexos, elaborados, ampliados e aprofundados ao longo da vida. Como não podemos considera – los concluídos, sua avaliação compreenderá a valoração dos graus ou níveis de aprofundamento e compreensão em dado momento.
Por esse motivo, a observação do uso ou da aplicação de cada conceito e as explicações espontâneas dos conceitos (explicar com as próprias palavras) será a melhor forma de avalia – los. As atividades mais indicadas para essa avaliação são trabalhos em equipe, exposições orais, seminários, situações problemas, em que o aluno tenha oportunidade de utilizar os conceitos elaborados.
Já a avaliação dos conteúdos procedimentais refere – se ao desenvolvimento da competência para a ação, ou ao saber fazer, as atividades mais indicadas para avalia – los são aquelas que permitem sua observação sistemática. Por exemplo, propor sistematicamente situações em que os alunos posam demonstrar saber: dialogar, debater, trabalhar em equipe, pesquisar, desenhar e utilizar instrumentos.
E a avaliação de conteúdos atitudinais é o conhecimento cuja aprendizagem oferece o maior grau de complexidade. Para poder avalia – lo é necessário que surjam situações conflitantes que permitam a expressão autônoma de opiniões pessoais. A observação desses comportamentos poderá ser realizada durante a participação em atividades em grupo, debates, estudo do meio, passeios, excursões, atividades expositiva ou no recreio.
O registro sistemático e organizado desses procedimentos de avaliação, pelo professor, por meio de tabelas, oferecerá condições para a aplicação dessas diferentes formas de avaliação.
A avaliação, entendida como construtiva da prática educativa, não pode estar ancorada em momentos específicos ou entendida como documento burocrático do rendimento dos alunos. Por isso, deve ser contínua, diagnóstica e dialógica. Contínua, porque deve ocorrer em todo o processo ensino – aprendizagem; diagnóstica porque tem como finalidade, detectar dificuldades que possam gerar ajustes ou mudanças da prática educativa; e dialógica, porque não se aplica apenas aos alunos, mas ao ensino que se oferece.Avaliar a aprendizagem implica avaliar também o ensino oferecido. (PCN de Língua Portuguesa. p.94)
            Silva nos diz que a avaliação não é o ponto final, a classificação de cada indivíduo a partir do resultado do processo ensino – aprendizagem, pelo contrário, é um conjunto de ações desempenhadas no processo pedagógico que contribui na coleta de dados, no registro de informações, na reflexão sobre o material acumulado e na exposição dos processos efetivados e das possibilidades abertas. A avaliação, investigando o processo ensino – aprendizagem, organizado através da pedagogia de projetos, ressalta a diferença e estimula que cada um traga para o trabalho coletivo suas particularidades, enriquecendo o processo e buscando elementos que possam ampliar seus conhecimentos. A diferença é posta em diálogo, não em uma escala. Esta avaliação faz emergir limites e possibilidades; conhecimento e desconhecimentos; caminhos, atalhos, obstáculos e desvios; explicita o que já foi feito e indica o que pode ser explorado. É convite e desafio, é fio que se trança a toda dinâmica estabelecida no cotidiano escolar para produzir processos democráticos e emancipatórios.
            Para avaliar e qualificar a aprendizagem dos educandos é preciso que estejam bem claros como: a teoria pedagógica que norteia e dá suporte á prática educativa e o planejamento de ensino que faz a mediação entre a teoria e a prática de ensino na aula.
            Philippe Perrenoud, em seu livro Avaliação: da excelência á regulação das aprendizagens – entre duas lógicas afirma que: “para mudar as práticas no sentido de uma avaliação mais formativa, menos seletiva, talvez se deva mudar a escola, pois a avaliação está no centro do sistema didático e do sistema de ensino”.

            Assim, não se poderia separar a reflexão sobre avaliação de um questionamento mais global sobre as finalidades da escola, das disciplinas, do contrato pedagógico e didático e dos procedimentos de ensino e de aprendizagem.
            A avaliação deve acontecer de forma contínua e sistemática, durante o ano letivo, e os instrumentos e as estratégias utilizadas para avaliar a aprendizagem devem ser variados e aplicados em vários momentos do processo educativo. Por meio de uma observação sistemática do desempenho dos alunos nas atividades, o professor terá condições de saber como seus alunos pensam, interagem e aprendem, obtendo pistas do que eles não estão compreendendo para poder interferir e auxilia – los em sua aprendizagem. É importante contemplar também a observação da qualidade da aprendizagem alcançada pelos alunos ao final de um período de trabalho, seja este determinado por um fim de bimestre ou de ano, seja pelo encerramento de um projeto ou por uma seqüência didática. Com isto, tanto o professor quanto o aluno percebem que a avaliação contínua do processo subsidia a avaliação final e ambos podem saber, nos diferentes momentos, o que foi aprendido pelos conteúdos estudados.




Capítulo II

O PAPEL DO SUPERVISOR ESCOLAR

            O trabalho dos profissionais da educação em especial da supervisão educacional é traduzir o novo processo pedagógico em curso na sociedade mundial, elucidar a quem ele serve explicitar suas contradições e, com base nas condições concretas dadas, promover necessárias articulações para construir alternativas que ponham a educação a serviço do desenvolvimento de relações verdadeiramente democráticas.
            O trabalho do supervisor, centrado na ação do professor não pode ser confundido com assessoria ou consultoria, por ser um trabalho que requer envolvimento e compromisso é o que fala Medina.
            Para Medina “o supervisor tem como objeto de trabalho a produção do professor – o aprender do aluno – e preocupa – se de modo especial com a qualidade dessa produção”. (1997, p.31).
O supervisor precisa ser um constante pesquisador, que antecipe conhecimentos para o grupo de professores, lendo muito, não só sobre conteúdos específicos, mas também livros e diferentes jornais e revistas. O objeto de trabalho do supervisor é a aprendizagem do aluno, o tendo como papel fundamental ser o grande harmonizador do ambiente da escola.
            O supervisor pedagógico faz parte do corpo docente da escola e tem a especificidade do seu trabalho caracterizado pela coordenação – organização em comum – das atividades didáticas, curriculares e o estímulo de oportunidades coletivas de estudo, a coordenação é uma função que se encaminha de modo interdisciplinar.
            O enfoque da supervisão é a ênfase no processo didático pelo qual o currículo se implementa em sala de aula, e na necessidade de que a formação e a ação supervisora prepara – se para acompanha - lo e atualiza – lo no cotidiano da escola.
            O conceito moderno de supervisão visa sempre ao aperfeiçoamento da situação total ensino – aprendizagem através do conhecimento da situação; da avaliação dessa situação; das modificações das condições que afetam a aprendizagem, suas três funções primordiais da supervisão são: diagnosticar, avaliar e aperfeiçoar.
            O supervisor faz a transposição da teoria para a prática escolar, reflete sobre o trabalho em sala de aula, estuda e usa as teorias para fundamentar o fazer e o pensar dos docentes. Um bom supervisor deve apresentar em seu perfil as seguintes características: auxiliador, orientador, dinâmico, acessível, eficiente, capaz, produtivo, apoiador, inovador, integrador, cooperativo, facilitador, criativo, interessado, colaborador, seguro, incentivador, atencioso, atualizado com o conhecimento e além de tudo ser amigo dos profissionais que faze parte da escola.
            Para aprender considera – se que a disciplina, organização, atenção, concentração, trabalho, é preciso pensar que o ser humano em seu propósito tem seu direito fundamental: o de ser feliz. A escola, que é parte importante da vida e é lugar de convívio e o convívio é também algo que se pode aprender, para que se faça cada vez melhor, assim, o estudo aplica – se às relações dos alunos entre si, dos professores, entre si, com seus alunos, famílias, funcionários, enfim, de todos que participam da comunidade escolar.
            O grande sucesso que o supervisor escolar terá em sua vida pessoal será a certeza de ter contribuído para o sucesso de muitas vidas que cruzarão seu caminho no decorrer dos anos da docência.
            Diante das diferentes e diversificadas funções do supervisor escolar, podemos citar como a de maior relevância a de coordenador, onde a unificação dos alunos, professores, equipe pedagógica e direção da escola se unem para desenvolver melhor a suas atuações dentro da rede escolar.
             Considera – se que ensinar e aprender são trabalhos que requerem planejamento, organização, sistematização.
            A supervisão escolar passa então a ser uma ferramenta de atuação tem como princípio o fazer, o agir, o movimentar, o envolver – se, o modificar e para isto é necessário que esteja firmado em nossa essência o querer moldar pessoas. Os pequeninos vêm para nós como folhas em brancos onde muitos de nós iremos fazer parte de suas histórias e por que não fazer a diferença em seus futuros. Como é possível observar, a educação é uma tarefa e um encargo coletivo no mundo de hoje, logo Cunha diz o seguinte: É imperioso que o profissional da educação contribua decisiva e decididamente para melhor fluir os projetos propostos para a resolução de problemas e enfrentamentos de desafios na escola. (Cunha, 2006, p. 271).
            O desafio para o profissional da supervisão escolar é enorme, ele terá que muitas vezes se um visionário, já que o reflexo de suas ações poderá acontecer talvez no futuro e a construção do educando só será sentida no decorrer dos anos, já que o trabalho de supervisores e professores é feito coletivamente.
            Tratando – se de realçar a importância do trabalho planejado e do seu momento de pensar os objetivos, os quais são, sem dúvida, partes dos planos de ensino – aprendizagem, associados ao programa, ao método, à avaliação e á recuperação, assim, como os planos, os objetivos são elementos de referência á orientação do processo didático.
            Alguns princípios de elaboração de currículo e programas na ação supervisora:
  • Acompanhar a atualização pedagógica e normativa, com especial atenção, em ambos os casos, aos fundamentos;
  • Propiciar oportunidades de estudo e interlocução dos professores, em atividades coletivas, que reúnam professores que desenvolvem um mesmo conteúdo nas diversas séries e níveis escolares;
  • Propiciar oportunidades periódicas de reavaliação de currículo e programas;
  • Propiciar oportunidades de estudo e decisões coletivas sobre material didático.
           A supervisão do conteúdo implica na supervisão de currículo e programas, contando com a participação e com oportunidades de estudo e integração dos professores promovidos pelo supervisor, observando a atualização do conhecimento, dos referentes do contexto, das normas e da didática nas escolhas de livros e material didático, que deve ser feita em uma escolha coletiva, fundamentada, estudada, sobre um recurso (mas não um limite) á aprendizagem do conhecimento do aluno.
A supervisão da avaliação pode, mas uma vez estimulando o estudo, trazer princípios e conceitos para a discussão coletiva. Entre os princípios, conceitos da avaliação podem constituir objeto de estudo dos professores:
·        A avaliação centrada na aprendizagem, mais que no ensino, ou seja, a avaliação como meio de aprender;
·        A avaliação como entendimento mais amplo que o de “verificação” de “quantidades” ou mensurações de resultados;
·        A avaliação como meio auxiliar do conhecimento sobre o aluno, sua forma de compreensão, sua lógica de raciocínio;
·        A avaliação como meio de correções necessárias, de professores e alunos, no curso do alcance dos objetivos.
O educador que exerce a prática supervisora tem no âmbito de sua competência, uma das funções essenciais á formulação e á implementação do projeto pedagógico da escola.
            A lei 9.394/96 em seu art.64 estabelece que “a formação de profissionais da educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em Pedagogia ou em nível de pós – graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional”, ratificando a necessidade de formar profissionais da educação que atuem no sistema de educação fundamental e médio a fim de “atender aos objetivos dos diferentes níveis e modalidades de ensino e ás características de cada fase do desenvolvimento do educando”.
            É a supervisão educacional compreendida como prática profissional do educador comprometido com os princípios da Carta Magna da educação, que impõem outra visão de mundo e de sociedade que se quer e almejam, mais justa e humana, seriamente articulada com as políticas, o planejamento, a gestão, a avaliação da educação e o ensino.
            As políticas são as orientações mais gerais do processo, a direção de mudanças a serem efetuadas, ou seja, são as diretrizes ou linhas de ação que definem ou norteiam práticas, como normas, leis e orientações.
            O planejamento é o processo de elaboração de planos de ação, que obedece às diretrizes e as operacionaliza com vistas á sua concretização.
            A gestão é o processo da execução de uma linha de ação, executa um plano, faz parte da administração; gestão tem um conteúdo que pode incluir aspectos emancipatórios como autonomia e cidadania, dependendo da direção que lhe for dada.
            A avaliação é um processo de análise ou julgamento da prática, é um processo de acompanhamento, garantidor da qualidade do processo educativo, avaliando a instituição e o desempenho dos agentes. Essa compreensão de avaliação permite perceber as diferenças da intenção e do paradigma que estão por trás das políticas, do planejamento, a gestão e da própria avaliação.
            Supervisão é o nome que se dá á atividades que contribuem para o aperfeiçoamento da instrução e dos programas em um sistema escolar. A supervisão consiste em todas as atividades que conduzem ao aperfeiçoamento da educação, ás atividades relacionadas com o moral do professor, com o aperfeiçoamento das relações humanas, com o aperfeiçoamento de desempenho do professor e com o desenvolvimento do currículo.
            Definidos os conceitos, percebe – se a prática profissional da supervisão como trabalho de coordenação e “controle” da prática educativa que visa assegurar os princípios e as finalidades da educação na prática pedagógica.
            A supervisão, embora já presente “nas comunidades primitivas”, em que a “educação se dava de forma difusa e indiferenciada” como uma “vigilância discreta” e, mais adiante a partir da Idade Média, assumindo a forma de controle, de conformação, de fiscalização.
            Os supervisores passaram a ser chamados de “pessoal de apoio”, “personagens escolares”, “parceiros” e tantas outras nomenclaturas que desqualificam na intenção de identificar algo que não está bem identificado, não traduzindo o relevante trabalho da supervisão.
            Como prática educativa, a supervisão educacional, independentemente de formação específica em uma habilitação no curso de pedagogia, em cursos de pós – graduação ou como conjunto de conteúdos desenvolvidos no curso de pedagogia, constitui – se num trabalho profissional que tem o compromisso de garantir os princípios e liberdade e solidariedade humana, no pleno desenvolvimento do educando, no seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho e, para isso, assegurar a qualidade do ensino, da educação, da formação humana.
            A supervisão moderna tem como objetivo geral, dar condições para que os objetivos da educação sejam atingidos, envolvendo o aperfeiçoamento do processo total ensino – aprendizagem e o desenvolvimento integral do aluno e a sua integração no meio físico e social.
            O supervisor deve coordenar as atividades pedagógicas da escola, aperfeiçoa – lás de forma constante, evitando assim, uma defasagem entre a comunidade escolar e a realidade educacional.
            A primeira tarefa do supervisor escolar seria trabalhar para que a idéia fosse aceita pelos educadores e pelos membros da comunidade. A nosso ver, a melhor estratégia para que uma idéia nova seja aceita é discuti – lá com as bases, dentro e fora da escola, procurando envolver os participantes, permitindo que participem das decisões do projeto e assumam tarefas para que, vivenciando o processo, possam posicionar – se diante do mesmo.
            A supervisão escolar precisa ser dinâmica e apresentar propostas concretas e geradoras de movimento, quando transposto para a compreensão das pessoas e para a execução de planos e orientações.
            Ao supervisor escolar caberá garantir nas equipes em que atua a participação efetiva da população. Talvez fosse interessante iniciar através de um diagnóstico dos problemas de cada unidade escolar e ir ampliando até atingir a problemática externa ao ambiente escolar. Seria ainda interessante estabelecer os limites da escola no sentido de poder satisfazer as necessidades e expectativas de sua clientela. Sempre que a escola careça de condições para resolver problemas da população, deve solicitar cooperação de outras instituições.
            D’Antola afirma que:

“Considerando que os professores tendem geralmente a uma atitude de acomodação, o supervisor escolar deveria demonstrar como utilizar de maneira flexível à legislação e as recomendações oficiais, estimulando, assim, a criatividade para que a escola, através de seu currículo, possa atender aos reclamos da comunidade”. (1983, p.22)

            O supervisor é um líder, que tem de desenvolver trabalhos que sejam do interesse coletivo, dinamizando encontros para a discussão, mudando de crenças e valores da sociedade e promovendo atualização teórica e prática.
            A supervisão não tem fim em si mesma e implica com o bom relacionamento humano, comunicação e liderança, fazendo com que haja interação mútua e continua desenvolvendo com isso uma atividade cooperativa.
            Com isso o supervisor deve ser uma pessoa capaz, preparada para desenvolver um bom trabalho no campo educacional, e, é vista como uma liderança educacional em ação que visa sempre o melhoramento do processo ensino – aprendizagem, como produto final, a melhoria do processo atuando através do professor e o supervisor aperfeiçoando e atualizando constantemente essa prática de ensino.
































Capítulo III

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS


  1. Tipo de pesquisa, sujeitos envolvidos.

De acordo com Gonçalves (2001, p.68) o tipo de pesquisa segundo a natureza dos dados será de abordagem qualitativa onde “preocupa – se com a compreensão, com a integração do fenômeno, considerando o significado que os outros dão a prática”.
      A característica desta pesquisa segundo os seus objetivos é de caráter bibliográfico e explicativo, pois pretende investigar a realidade e, desta maneira, identificar os fatores que determinam à ocorrência de um determinado fato. Assim, nesta pesquisa identificamos quais os fatores que possam explicar qual a importância da avaliação da aprendizagem e o papel que de fato um supervisor deve exercer dentro da escola.
      Tendo em vista que o problema pesquisado parte da avaliação e do papel do supervisor, vários autores falam de como a avaliação da aprendizagem deve ser feita com os alunos de maneira justa não prejudicando assim o desenvolvimento cognitivo do aluno e como o supervisor educacional pode contribuir juntamente com o professor oferecendo ao aluno uma educação com qualidade, respeitando com isso a individualidade de cada aluno. Autores como Zabala (1998); Cunha (2006); Hoffmann (2003); Medina (1997); Freire (1997) e vários outros estudiosos deram a sua contribuição de como a avaliação não pode ser restringida só a nota final, causando ansiedade e stress tanto para o professor como também para o aluno.
      A avaliação da aprendizagem deveria ser um processo contínuo, analisando o antes e o depois, mas na verdade só acontece a avaliação de conteúdo, uma avaliação superficial, não avaliando o processo de transformação do aluno, sendo só para medir o conhecimento.
      Para o aluno, a avaliação deve ser um instrumento de tomada de consciência de suas conquistas, dificuldades e possibilidades para a reorganização do seu investimento na tarefa de aprender.
      Ao avaliar o rendimento escolar do aluno, o professor deve levar em consideração dois critérios básicos: a avaliação da aprendizagem, de acordo com os objetivos estabelecidos em seu plano de curso, e a auto – avaliação do seu trabalho por meio de respostas dos alunos.
      Já que o conhecimento é uma construção humana gradual, em que a partir de um determinado conhecimento, outros vão se somando, cada aluno se apropriará dos conteúdos estudados de acordo com seu ritmo pessoal, passando por assimilação e acomodação. Assim, ele trabalha reelabora as informações recebidas de forma progressiva e crescente; por isso é necessário considerar, na avaliação, o processo do rendimento escolar e não o produto.
      A avaliação do rendimento escolar, assim, em vez de ser um procedimento excludente ou um instrumento de penalização do aluno, contribuirá não só para o aperfeiçoamento do processo ensino – aprendizagem pelo professor, mas também para a conscientização desse mesmo processo por parte do aluno. É preciso, antes de tudo, avaliar e valorizar os progressos, os avanços e as conquistas do aluno em termos de aprendizagem, e não se apegar de modo exagerado ao que ele ainda não aprendeu. Esse tipo de avaliação constitui um importante fator de crescimento mútuo, porque, além de desenvolver a autocrítica, tanto no aluno quanto no professor, estimula ambos a encontrar soluções para as dificuldades apresentadas.
A palavra avaliação em si sempre causou grandes medos nos alunos, pois, é a maneira que o sistema encontrou para medir o conhecimento que o aluno adquiriu durante a sua aprendizagem. Mas em alguns momentos é feita de forma punitiva, discriminatória, visando só o conteúdo, não a aprendizagem e até mesmo o professor fica perdido em qual seria a melhor forma de avaliar o seu aluno.
      O papel do supervisor é auxiliar o trabalho do professor. Quando o supervisor está trabalhando junto com o professor está ação não pode ser confundida com assessoria ou consultoria, pois este é um trabalho que merece e requer envolvimento e comprometimento de ambas as partes.
      O objeto de trabalho do supervisor é a produção do que o professor está fazendo com seus alunos, porque é através do professor que o aluno irá desenvolver sua aprendizagem e cabe ao supervisor ser o harmonizador do ambiente da escola entre todos os funcionários, e ter consciência da sua maneira de agir e ter conhecimento do Projeto Político Pedagógico da Escola.
            O supervisor muitas vezes se movimenta através de uma prisão burocrática, o seu cotidiano muitas vezes é cheio de percalços como o desalento, impotência e perplexidade a respeito dos assuntos referentes a escola e aos alunos, todos esperam uma ação criativa do supervisor.
            É indispensável que o supervisor da escola se expresse como educador e como especialista, onde ele é considerado sendo o cimento que faz o elo entre o superior e o educador.



























CONSIDERAÇÕES FINAIS

            Concluímos que a avaliação não deve se restringir simplesmente para julgar os fracassos e os sucessos dos alunos e sim, que ela deve ser compreendida como um conjunto de práticas que tem a função de alimentar, sustentar e orientar a intervenção pedagógica que o professor utiliza junto aos alunos, pois o ato de avaliar é uma fonte de conhecimento e de novos objetivos a serem alcançados no sentido permanente no processo educativo.
A avaliação deve acontecer de forma contínua e sistemática, durante o ano letivo, e os instrumentos e as estratégias utilizadas para avaliar a aprendizagem devem ser variados e aplicados em vários momentos do processo educativo. Por meio de uma observação sistemática do desempenho dos alunos nas atividades, o professor terá condições de saber como seus alunos pensam, interagem e aprendem, obtendo pistas do que eles não estão compreendendo para poder interferir e auxilia – los em sua aprendizagem. É importante contemplar também a observação da qualidade da aprendizagem alcançada pelos alunos ao final de um período de trabalho, seja este determinado por um fim de bimestre ou de ano, seja pelo encerramento de um projeto ou por uma seqüência didática. Com isto, tanto o professor quanto o aluno percebem que a avaliação contínua do processo subsidia a avaliação final e ambos podem saber, nos diferentes momentos, o que foi aprendido pelos conteúdos estudados.
            A supervisão passa de escolar à pedagógica e caracteriza – se por um trabalho de assistência ao professor em forma de planejamento, acompanhamento, coordenação, controle, avaliação e atualização do desenvolvimento do processo ensino – aprendizagem.
A supervisão não tem fim em si mesma e implica com o bom relacionamento humano, comunicação e liderança, fazendo com que haja interação mútua e continua desenvolvendo com isso uma atividade cooperativa.
            Com isso o supervisor deve ser uma pessoa capaz, preparada para desenvolver um bom trabalho no campo educacional, e, é vista como uma liderança educacional em ação que visa sempre o melhoramento do processo ensino – aprendizagem, como produto final, a melhoria do processo atuando através do professor e o supervisor aperfeiçoando e atualizando constantemente essa prática de ensino.
É indispensável que o supervisor da escola se expresse como educador e como especialista, onde ele é considerado sendo o cimento que faz o elo entre o superior e o educador.



Autora: ANTÔNIA LOPES DOS SANTOS, formada em Pedagogia na Universidade Federal de Rondônia (UNIR) no campus de Vilhena - RO. Monografia apresentada no curso de Pós - Graduação no curso de Especialização em Gestão Escolar: Supervisão Educacional na Faculdade da Amazônia - FAMA.































REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR. 6023: Informação e Documentação: Referências, Elaboração. Rio de Janeiro. Agosto, 2002.

CUNHA, Aldeneia S. da; OLIVEIRA, Ana Cecília de; Araújo, Leina A. (Org.). A Supervisão no Contexto Escolar: Reflexões Pedagógicas. Manaus, Uninorte, 2006.

D’ ANTOLA, Arlette. Supervisão e Currículo: rumo a uma visão humanista. São Paulo. Pioneira, 1983.

DECRETO – LEI 95/97 de 23/4.

DECRETO – LEI 344/89 de 11/10.

FERREIRA Naura S (org) Supervisão Educacional para uma escola de qualidade: da formação a ação. São Paulo: Cortez, 1999.   

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários á prática educativa. São Paulo. Paz e Terra, 1997.

GONÇALVES, Elisa Pereira. Conversas sobre Iniciação a Pesquisa. Campinas. S.P. Alínea, 2001.

LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO. Lei nº 9.394 de 1996. Brasília, 1998.

LUCKESI, Carlos C. Avaliação Educacional escolar: para além do autoritarismo. Tecnologia Aplicada, 1984.
MEDINA, Antonia da Silva. Novos Olhares sobre s supervisão. Supervisor Escolar: parceiro político pedagógico do professor. Campinas, S.P: Papirus, 1997.

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PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS DO BRASIL. Língua Portuguesa. V. 2. Brasília, 1997.

PERRENOUD, Philippe. Avaliação da excelência á regulação das aprendizagens: entre duas lógicas. Tradução de: Patrícia Chittoni Ramos. Porto Alegre. Artes Médicas, 1999.

RANGEL, Mary. Consideração sobre o papel do supervisor como especialista em educação na América Latina. In: SILVA, Celestino; RANGEL, Mary (orgs.) Nove Olhares sobre a Supervisão. Campinas. Papirus, 1997.

SANTOS, Antonio Raimundo. Metodologia Científica: a construção do conhecimento. 5º ed. Rio de Janeiro. DP&A, 2002.

ZABALA, Antoni. A Prática Educativa: Como Ensinar

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